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democratização da terra”, como mostramos anteriormente, é necessário DISCURSOS SOBRE O ESTRANGEIRISMO EM GRAMÁTICAS: democratizar a terra, o que já foi feito em países capitalistas como EUA, Japão etc. Democratizar a terra é torná-la fonte de emprego, justiça social,alimentos e renda. É também necessário democratizar o poder, ponto nevrálgico de resistência e dominação históricas, pois nas áreas rurais quemtem a terra tem o poder. A democratização cria condições para que as pessoassaiam da pobreza e se amenizem as desigualdades sociais.
Resumo: Este artigo apresenta uma análise dos discursos sobre oestrangeirismo em gramáticas normativas e históricas, enfocando as É espantoso o grau de concentração de terra: menos de 1% dos políticas de fechamento da heterogeneidade discursiva presentes neles.
proprietários (que têm latifúndios de mais de mil hectares) controlam 44% A função básica das políticas analisadas é a construção simbólica da da terra agricultável do país, enquanto 53% (que tem propriedades de menos unidade lingüística e, conseqüentemente, nacional.
de dez hectares) controlam menos de 3%. Não estão computados os Palavras-chave: análise do discurso; heterogeneidade discursiva; trabalhadores rurais sem nenhuma terra, que são milhões. Bancos, estrangeirismo; preconceito lingüístico; gramáticas.
empreiteiras e grandes grupos industriais, todos sem vocação agrícola, têmmilhões de hectares. Essa alta concentração resulta em um baixo uso da Abstract: This article presents an analysis of the discourses about terra: na média brasileira, estão ocupados com lavouras apenas 14% das foreign words in prescriptive and historical grammar books, focusing áreas agricultáveis (Cartilha – consulta popular nº 10, p. 31-2).
on the closing policies of the heterogeneity of these discourses. Thebasic function of the analyzed policies is the symbolic construction of the linguistic unit and, consequently, the national unit.
Keyword: discourse analysis; discursive heterogeneity; foreign word;
A partir das considerações expostas acima, podemos afirmar que o discurso de Reforma Agrária configura os agricultores sem terra,diferenciando-os dos demais, por ser um movimento que participa atuantedo universo político vigente.
Constatamos que a luta pela reforma agrária não pode ser mais ignorada, O objetivo deste artigo é analisar discursos sobre o estrangeirismo em com a existência do MST nesta virada de século. A luta do Movimento é uma gramática histórica e duas normativas, enfocando o funcionamento por terra, no entanto, requer mudanças sociais e estruturais que se opõe ao plano neoliberal de FHC e, também, mudanças no modelo econômico. Paraa reforma agrária avançar, é necessário que toda a sociedade a “abrace” O postulado básico dessa análise é a heterogeneidade discursiva. Bakhtin (1988) como uma luta legítima dos sem terra, dos pobres do campo, com reflexos afirma que todo discurso carrega consigo outro, dialoga com ele e se constitui nesse positivos para a própria sociedade.
diálogo, é uma arena (utilizando uma metáfora que remete diretamente aos estudosbakhtinianos) em que se encontram valores contraditórios. Assim, 1 Agradeço à CAPES pelo financiamento desta pesquisa.
2 Doutoranda no programa de pós-graduação em lingüística na Universidade Estadual de Campinas (SP).
AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 26-35, nº 2, 2000/2003 AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 para o autor, o discurso é sempre marcado pela polifonia, pela heterogeneidade. Além disso, ele é sempre marcado ideologicamente. Emcrítica ao que chama objetivismo abstrato crítica que se concentra na figura BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. 6. ed. São Paulo: de Saussure -, Bakhtin argumenta que o lingüístico é ideológico/histórico em todas as suas manifestações: para ele, não existe palavra sem valor BÍBLIA SAGRADA. 5. ed. São Paulo: Claretiana, 1959.
ideológico. Nesse sentido, a língua está sempre afetada pelo que lhe é exterior, CONSTITUIÇÃO FEDERATIVA DO BRASIL. Ministério da Educação e Cultura-MEC, 1988.
Consulta popular. O que é alterar o sistema de poder? São Paulo. Cartilha Authier-Revuz (1990), a partir das reflexões de Bakhtin, classifica a heterogenidade discursiva em constitutiva e mostrada, esta podendo ser COURTINE, Jean-Jacques. Le tissu de la mémoire: quelques perspective marcada ou não marcada. Pode-se dizer que todo discurso é de travail historique dans les science du langage. In: Langage, mémoire, constitutivamente heterogêneo porque “(.) toda palavra, por se produzir histoire, 114, juin, 1995. Larousse.
em “meio” ao já-dito de outros discursos, éhabitada por um discurso outro” FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. 1995.
(Authier-Revuz, 1998, p. 193). Já a heterogeneidade mostrada comporta FUCHS, Catherine. A paráfrase, entre o discurso e a língua. In: Languege recursos como ironia, paráfrase, paródia, glosas metaenunciativas, aspas/ François, nº 53, Février, 1982.
itálico/negrito, negação, entre outros. Em todos esses casos, tem-se o MAINGUENEAU, Dominique. Novas tendências em Análise do discurso. discurso atravessado por um outro, dialogando mais ou menos contraditoriamente com ele, desvelando-o ou ocultando-o, reforçando-o ou ORLANDI, Eni P. Análise do discurso: princípios e procedimentos. 3ª ed.
apagandoo, delimitando-lhe um espaço de atuação e existência.
Campinas: Pontes, 2001.
PÊCHEUX. Michel. Semântica e discurso. Uma afirmação do óbvio. É assim que entendo a heterogeneidade discursiva: um espaço de confrontos, de diálogo que se constitui em enfrentamentos mais ou menos RODRIGUES, Marlon L. Introdução ao estudo da ideologia que sustenta evidentes. E se esse diálogo constitui o discurso, ele também constitui o o MST. Três Lagoas, 2001. Dissertação de Mestrado – Universidade Federal sujeito. Geraldi (1996), considerando o dialogismo bakhtiniano e a noção de linguagem como atividade constitutiva, tomada de Franchi (1977), defende STÉDILE, João Pedro. FERNANDES, Bernardo M. Brava gente. A uma concepção de sujeito constitutivamente heterogêneo: o processo da trajetória do MST e a luta pela terra no Brasil. São Paulo: Fundação Perseu tomada de consciência do sujeito se dá nas relações interativas do eu com um outro, através da relação do eu com a palavra do outro, na internalizaçãodessa sua palavra, num processo ininterrupto e sempre inacabado delançamento de contrapalavras. Estas representam um trabalho do sujeitosobre a palavra do outro, sobre o dado. Assim, recursos como paráfrase,comentário e aspas, por exemplo, representativos da heterogeneidadediscursiva, representam uma contrapalavra, um trabalho do sujeito sobreoutro discurso, ou discurso do outro. Trabalho que pode circunscrever o AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 26-35, nº 2, 2000/2003 outro ao espaço do não-dito, do proibido, do inimigo, do estrangeiro.
não-um), mas também de uma identidade do sujeitonacional. Neste caso,ela se produz também nesse processo de construção de unidade e conseqüente É importante lembrar aqui os mecanismos disciplinares postulados por pureza lingüística (pelo uso das aspas que, ao manterem visível e à distância Foucault (1996), “(.) que atuam na tentativa de fazer esquecer a a palavra estrangeira, produzem a ilusão da dominação desse outro que heterogeneidade característica do sujeito e de sua linguagem. (.) o autor introduz a aparente desestabilização da língua), processo de construção analisa mecanismos de controle, seleção, organização e redistribuição dos marcado pelo fato histórico de fronteiras geopolíticas, pelas ideologias que discursos e dos sujeitos, através dos quais ambos seriam “ordenados” de forma que seus perigos e poderes fossem conjurados.” (Mendonça, 2001).
Para Foucault, esses mecanismos dividem-se em: externos ao discurso, Maingueneau (1993:90) afirma: “Colocar entre aspas não significa dizer internos, e de rarefação (seleção) dos sujeitos. Neste artigo, serão observados explicitamente que certos termos são mantidos à distância, é mantê-los à na análise de gramáticas alguns desses mecanismos: a proibição de dizer distância e, realizando este ato, simular que é legítimo fazê-lo.” Depreende-se (com a constituição, por exemplo, de tabus lingüísticos, que é produzida que as aspas podem ser vistas como um tácito e taxativo colocar à distância, externamente ao discurso) e o comentário (mecanismo interno de controle um mecanismo de exclusão que se supõe legítimo.
do discurso que, segundo o autor, entre outros efeitos, permite ao discursoque comenta dominar o comentado).
Parece bastante claro que essa orientação para utilização de aspas é purista, pois vê na forma diferente um perigo, uma ameaça. As aspas são Nos discursos sobre o estrangeirismo analisados a seguir, mecanismos uma manifestação da heterogeneidade discursiva que, neste caso, como proibição e comentário são constitutivos de seu funcionamento e paradoxalmente, serve não só para explicitar a introdução de um discurso colaboram para a produção do que chamo de políticas de fechamento - em outro, mas demarcá-lo para excluí-lo.
neste caso, uma tentativa de produção de homogeneidade discursiva frenteao perigo da perda de identidade em meio à heterogeneidade. O conceito já 2. A domesticação do estrangeirismo pela língua importadora foi utilizado por mim para refletir sobre práticas escolares em atividades deleitura, produção de textos e ensino de língua materna (Mendonça, 2001).
Da mesma forma que, para os gramáticos do Discurso 1, deve-se demarcar a palavra estrangeira, torná-la visível, deve-se também domesticá-la, 1. A demarcação/separação do estrangeirismo com recursos gráficos já que é considerada perigosa à unidade lingüística nacional. Observe-se suaorientação para a conformação do estrangeirismo ao sistema lingüístico da A seguir, foi transcrito um discurso em que ocorrem alguns mecanismos que podem ser vistos como políticas de fechamento. Perceba-se também que o problema do estrangeirismo para esses gramáticos é quando ele não é “sentido” como língua nacional porque nãopassou pelo processo de domesticação de que estamos falando - “As palavras “As palavras de origem estrangeira normalmente passam por um processo de origem estrangeira normalmente passam por um processo de de aportuguesamento fonológico e gráfico. Quando isso ocorre, muitas vezes aportuguesamento fonológico e gráfico. Quando isso ocorre, muitas vezes deixamos de perceber que estamos usando um estrangeirismo. Pense em deixamos de perceber que estamos usando um estrangeirismo. Pense em palavras como bife, futebol, beque, abajur, xampu, tão freqüentes em nosso
palavras como bife, futebol, beque, abajur, xampu, tão freqüentes em nosso
AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 cotidiano que já as sentimos como portuguesas”. O insuportável, no caso, é cotidiano que já as sentimos como portuguesas. Quando mantêm a grafia da quando a palavra estrangeira mantém suas características fonológicas e língua de origem, as palavras devem ser escritas entre aspas (na imprensa, gráficas e faz lembrar que é um outro se inserindo no discurso. Por isso, devem surgir em destaque - normalmente itálico: shopping center, show, nesse caso, é preciso separá-la com as aspas.
O discurso sobre o estrangeirismo, como se vê, é um espaço em que se Atente para o fato de que os empréstimos lingüísticos só fazem sentido realiza com muita clareza a intolerância lingüística, é espaço de preconceitos quando necessários. É o que ocorre quando surgem novos produtos ou não assumidos, de construção simbólica da unidade lingüística. A esse processos tecnológicos. Ainda assim, esses empréstimos devem ser respeito, vale a pena lembrar reflexões de Bakhtin sobre a forma como os submetidos ao tratamento de conformação aos hábitos fonológicos e sujeitos “incorporam” a palavra do outro: o processo da passagem da “palavra morfológicos da língua portuguesa. São condenáveis abusos de do outro” para “palavra pessoalalheia” e, depois, para palavra pessoal; estrangeirismos decorrentes de afetação de comportamento ou de segundo o autor, esquece-se, neste último estágio, da relação dialógica com subserviência cultural. A imprensa e a publicidade não resistem à tentação a palavra do outro (Bakhtin, 2000: 405-406). Os gramáticos explicitam um de utilizar a denominação estrangeira de forma apelativa, como em expressões processo de esquecimento que precisa ser pensado para a compreensão do do tipo os teens (por adolescentes) ou high technology system (sistema de sujeitonacional: esquecer-se de que “sua” língua veio de muitas outras, alta tecnologia).” (Cipro Neto, Infante, 1997:109,110) mantendo com elas uma relação estreita e indissociável.Esse esquecimentotalvez seja condição para afirmá-la como sua, no sentido de ser uma língua Cumpre destacar do discurso acima a orientação para separar com aspas nacional que dá unidade a um sujeito nacional. No caso, a consciência da (ou itálico) as palavras/expressões em outra língua. Aspas/itálicos são uma monologização, da palavra pessoal, apaga o outroestrangeiro e permite a manifestação daquilo que Authier-Revuz denomina heterogeneidade produção de uma “identidade nacional”.
mostrada marcada (1990) e, no caso da separação da palavra estrangeira,uma heterogeneidade no espaço da representação da não-coincidência do 3. Reação ao estrangeirismo que representa perigo à unidade lingüística discurso consigo mesmo (1998). Essa nãocoincidência éconcebida comoconstitutiva do discurso, já que, como foi dito, todo discurso éhabitado/ Percebe-se, no Discurso 1, que a palavra estrangeira perigosa é aquela atravessado por outro discurso. Ao marcar a diferença, no caso, com sinais que significa dependência econômica e cultural, já que ela é uma das formas tipográficos, “(.) um discurso desenha nele mesmo o traçado - relacionado visíveis dessa dependência e, por extensão, dessa dominação. A reação contra a uma “interdiscursividade representada” - de uma fronteira interior/exterior” ela, portanto, deve sempre ser pensada como reação a esse processo mais (AuthierRevuz, 1998, p. 193). Nesse estabelecer fronteiras, o discurso produz amplo. Essa relação entre língua e estrutura sócioeconômica está clara no em si mesmo, por diferença, uma imagem de si.
fragmento de discurso a seguir, retirado do discurso 1: “São condenáveisabusos de estrangeirismos decorrentes de afetação de comportamento ou O caso de demarcar uma fronteira entre discursos de línguas diferentes de subserviência cultural.” Na seqüência do texto, é o uso do inglês que é torna bastante claro o processo de constituição não só de uma identidade do tomado como referência para a crítica à subserviência cultural.
sujeitopsicanalítico, na concepção de Authier-Revuz (esse que, aocircunscrever o não-um, julga dominá-lo por mantê-lo visível e à distância; Já Coutinho, em Pontos de gramática histórica, cuja primeira esse que, em seu imaginário, travando a negociação necessária com as forças edição é de 1938, faz uma lista extensa dos empréstimos de desagregação, constrói a imagem do UM pela denegação do AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 outro ao espaço do não-dito, do proibido, do inimigo, do estrangeiro.
não-um), mas também de uma identidade do sujeitonacional. Neste caso,ela se produz também nesse processo de construção de unidade e conseqüente É importante lembrar aqui os mecanismos disciplinares postulados por pureza lingüística (pelo uso das aspas que, ao manterem visível e à distância Foucault (1996), “(.) que atuam na tentativa de fazer esquecer a a palavra estrangeira, produzem a ilusão da dominação desse outro que heterogeneidade característica do sujeito e de sua linguagem. (.) o autor introduz a aparente desestabilização da língua), processo de construção analisa mecanismos de controle, seleção, organização e redistribuição dos marcado pelo fato histórico de fronteiras geopolíticas, pelas ideologias que discursos e dos sujeitos, através dos quais ambos seriam “ordenados” de forma que seus perigos e poderes fossem conjurados.” (Mendonça, 2001).
Para Foucault, esses mecanismos dividem-se em: externos ao discurso, Maingueneau (1993:90) afirma: “Colocar entre aspas não significa dizer internos, e de rarefação (seleção) dos sujeitos. Neste artigo, serão observados explicitamente que certos termos são mantidos à distância, é mantê-los à na análise de gramáticas alguns desses mecanismos: a proibição de dizer distância e, realizando este ato, simular que é legítimo fazê-lo.” Depreende-se (com a constituição, por exemplo, de tabus lingüísticos, que é produzida que as aspas podem ser vistas como um tácito e taxativo colocar à distância, externamente ao discurso) e o comentário (mecanismo interno de controle um mecanismo de exclusão que se supõe legítimo.
do discurso que, segundo o autor, entre outros efeitos, permite ao discursoque comenta dominar o comentado).
Parece bastante claro que essa orientação para utilização de aspas é purista, pois vê na forma diferente um perigo, uma ameaça. As aspas são Nos discursos sobre o estrangeirismo analisados a seguir, mecanismos uma manifestação da heterogeneidade discursiva que, neste caso, como proibição e comentário são constitutivos de seu funcionamento e paradoxalmente, serve não só para explicitar a introdução de um discurso colaboram para a produção do que chamo de políticas de fechamento - em outro, mas demarcá-lo para excluí-lo.
neste caso, uma tentativa de produção de homogeneidade discursiva frenteao perigo da perda de identidade em meio à heterogeneidade. O conceito já 2. A domesticação do estrangeirismo pela língua importadora foi utilizado por mim para refletir sobre práticas escolares em atividades deleitura, produção de textos e ensino de língua materna (Mendonça, 2001).
Da mesma forma que, para os gramáticos do Discurso 1, deve-se demarcar a palavra estrangeira, torná-la visível, deve-se também domesticá-la, 1. A demarcação/separação do estrangeirismo com recursos gráficos já que é considerada perigosa à unidade lingüística nacional. Observe-se suaorientação para a conformação do estrangeirismo ao sistema lingüístico da A seguir, foi transcrito um discurso em que ocorrem alguns mecanismos que podem ser vistos como políticas de fechamento. Perceba-se também que o problema do estrangeirismo para esses gramáticos é quando ele não é “sentido” como língua nacional porque nãopassou pelo processo de domesticação de que estamos falando - “As palavras “As palavras de origem estrangeira normalmente passam por um processo de origem estrangeira normalmente passam por um processo de de aportuguesamento fonológico e gráfico. Quando isso ocorre, muitas vezes aportuguesamento fonológico e gráfico. Quando isso ocorre, muitas vezes deixamos de perceber que estamos usando um estrangeirismo. Pense em deixamos de perceber que estamos usando um estrangeirismo. Pense em palavras como bife, futebol, beque, abajur, xampu, tão freqüentes em nosso
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AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 cotidiano que já as sentimos como portuguesas”. O insuportável, no caso, é cotidiano que já as sentimos como portuguesas. Quando mantêm a grafia da quando a palavra estrangeira mantém suas características fonológicas e língua de origem, as palavras devem ser escritas entre aspas (na imprensa, gráficas e faz lembrar que é um outro se inserindo no discurso. Por isso, devem surgir em destaque - normalmente itálico: shopping center, show, nesse caso, é preciso separá-la com as aspas.
O discurso sobre o estrangeirismo, como se vê, é um espaço em que se Atente para o fato de que os empréstimos lingüísticos só fazem sentido realiza com muita clareza a intolerância lingüística, é espaço de preconceitos quando necessários. É o que ocorre quando surgem novos produtos ou não assumidos, de construção simbólica da unidade lingüística. A esse processos tecnológicos. Ainda assim, esses empréstimos devem ser respeito, vale a pena lembrar reflexões de Bakhtin sobre a forma como os submetidos ao tratamento de conformação aos hábitos fonológicos e sujeitos “incorporam” a palavra do outro: o processo da passagem da “palavra morfológicos da língua portuguesa. São condenáveis abusos de do outro” para “palavra pessoalalheia” e, depois, para palavra pessoal; estrangeirismos decorrentes de afetação de comportamento ou de segundo o autor, esquece-se, neste último estágio, da relação dialógica com subserviência cultural. A imprensa e a publicidade não resistem à tentação a palavra do outro (Bakhtin, 2000: 405-406). Os gramáticos explicitam um de utilizar a denominação estrangeira de forma apelativa, como em expressões processo de esquecimento que precisa ser pensado para a compreensão do do tipo os teens (por adolescentes) ou high technology system (sistema de sujeitonacional: esquecer-se de que “sua” língua veio de muitas outras, alta tecnologia).” (Cipro Neto, Infante, 1997:109,110) mantendo com elas uma relação estreita e indissociável.Esse esquecimentotalvez seja condição para afirmá-la como sua, no sentido de ser uma língua Cumpre destacar do discurso acima a orientação para separar com aspas nacional que dá unidade a um sujeito nacional. No caso, a consciência da (ou itálico) as palavras/expressões em outra língua. Aspas/itálicos são uma monologização, da palavra pessoal, apaga o outroestrangeiro e permite a manifestação daquilo que Authier-Revuz denomina heterogeneidade produção de uma “identidade nacional”.
mostrada marcada (1990) e, no caso da separação da palavra estrangeira,uma heterogeneidade no espaço da representação da não-coincidência do 3. Reação ao estrangeirismo que representa perigo à unidade lingüística discurso consigo mesmo (1998). Essa nãocoincidência éconcebida comoconstitutiva do discurso, já que, como foi dito, todo discurso éhabitado/ Percebe-se, no Discurso 1, que a palavra estrangeira perigosa é aquela atravessado por outro discurso. Ao marcar a diferença, no caso, com sinais que significa dependência econômica e cultural, já que ela é uma das formas tipográficos, “(.) um discurso desenha nele mesmo o traçado - relacionado visíveis dessa dependência e, por extensão, dessa dominação. A reação contra a uma “interdiscursividade representada” - de uma fronteira interior/exterior” ela, portanto, deve sempre ser pensada como reação a esse processo mais (AuthierRevuz, 1998, p. 193). Nesse estabelecer fronteiras, o discurso produz amplo. Essa relação entre língua e estrutura sócioeconômica está clara no em si mesmo, por diferença, uma imagem de si.
fragmento de discurso a seguir, retirado do discurso 1: “São condenáveisabusos de estrangeirismos decorrentes de afetação de comportamento ou O caso de demarcar uma fronteira entre discursos de línguas diferentes de subserviência cultural.” Na seqüência do texto, é o uso do inglês que é torna bastante claro o processo de constituição não só de uma identidade do tomado como referência para a crítica à subserviência cultural.
sujeitopsicanalítico, na concepção de Authier-Revuz (esse que, aocircunscrever o não-um, julga dominá-lo por mantê-lo visível e à distância; Já Coutinho, em Pontos de gramática histórica, cuja primeira esse que, em seu imaginário, travando a negociação necessária com as forças edição é de 1938, faz uma lista extensa dos empréstimos de desagregação, constrói a imagem do UM pela denegação do AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 lingüísticos sem apresentar juízo de valor sobre seu uso, com exceção do uso de galicismos, a respeito do qual diz o seguinte: “Estrangeirismo - uso de palavras ou construções próprias de línguas “Apesar do combate que lhes deram incansáveis vernaculistas, como Fr. Francisco de S. Luís, Filinto Elísio, Silva Túlio, Castilho e outros, aspalavras e expressões francesas vão tomando de assalto o nosso vocabulário, “O desenvolvimento de nossa Marinha Mercante é um dos pontos dêle desterrando vozes e expressões castiças. Isto se justifica pela posição fundamentais para o boom da exportação.” (JB, 7/11/73)” (Cegalla, saliente que ocupa a França na moderna civilização. Os escritores brasileiros contemporâneos, antes de se aperceberem do necessário cabedal deconhecimento do idioma pátrio, põem-se a ler as obras dos escritores A taxação de vício de linguagem constitui um processo explícito de exclusão da palavra estrangeira do rol de palavras “pronunciáveis”. Constituiaquilo que Foucault (1996) denominou, como vimos, proibição, um É galicismo léxico o emprêgo desnecessário de uma palavra francesa mecanismo de controle do discurso. Veja-se que essa é uma política de em português, ou o emprêgo de uma palavra portuguêsa com a acepção fechamento que se distingue das aspas; estas, um processo de exclusão, mesmo que marcado, silencioso: um fazer sem dizer.
Estendemo-nos um pouco na enumeração das palavras francesas para acautelarmos contra o seu emprêgo os menos experientes. Usá-las, quandodelas não haja necessidade, ou mesmo neste caso, sem as acomodar ao gênio Neste artigo, foram analisadas políticas de fechamento em gramáticas, da língua, constitui vício de linguagem.” (Coutinho, 1973:195,196 - itálico enfocando o discurso sobre o estrangeirismo. Percebe-se que as reações à palavra estrangeira têm uma função comum: construir simbolicamente aunidade lingüística, condição posta para a unidade nacional.
Citar uma lista extensa daquilo a que se denomina empréstimo lingüístico, em contraposição ao mecanismo da citação adicionada do Essa reação à palavra estrangeira que parece ameaçar a integridade comentário e da denominação de galicismo léxico e vício de linguagem, nacional é uma questão relevante para os estudos sobre o discurso, pois não produz, por um lado, o “esquecimento” do empréstimo lingüístico, pois é só mostra uma inclinação para a homogeneidade quando face à tomado como natural, e por outro, o destaque do galicismo; destaque feito heterogeneidade - é, portanto, uma política de fechamento - mas também para dominar o discurso a partir do comentário (neste caso, porque não se permite refletir sobre a construção de identidade do sujeito. Um sujeito que deixa a lista dizer por si, mas procura-se “interpretá-la”) e para excluir pela precisa esquecer-se do outro para constituir-se como tal, mas que proibição (pela constituição de um tabu lingüístico) - os conceitos de paradoxalmente só é porque está como o outro - Que é uma língua senão a comentário e proibição, como foi dito, foram tomados de Foucault (1996).
mistura de tantas línguas? Mas que é uma língua senão a diferença de outras Vê-se, nesses mecanismos articulados pelo gramático, uma forma de lidar com a heterogeneidade ao mesmo tempo produzindo o esquecimento, adominação e a exclusão da língua estrangeira. Trabalho em um instrumento Esse “ser um falante de uma língua” é um fato lingüístico que circunscreve num espaço mais restrito as relações do que, sem dúvida, ultrapassa os aspectos formais e toca nos AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 político-ideológicos - isso também lembrou Rajagopalan (1998), a respeito No momento histórico em que foi produzido o Discurso 2, a construção do hindi e do urdu, que são línguas oficialmente diferentes, apesar de que o da unidade lingüística passava pela desmoralização do emprego do francês, fator que as distinga não seja lingüístico, mas religioso e geopolítico.
já que -parafraseando o autor - seu uso era corrente devido à posição salienteque ocupava a França na então moderna civilização. O desmerecimento do Assim, a reação aos estrangeirismos não é uma reação (somente) à “outro” realiza-se ao mesmo tempo em que é feita a valorização do português, palavra estrangeira - não é aspecto lingüístico-formal que está em jogo - então elevado em sua “qualidade” de idioma pátrio que deve ser preservado nem uma reação a qualquer palavra estrangeira. Isso ajuda a entender o em sua “pureza”. Vejam-se as passagens em itálico.
porquê das restrições ao uso de palavras estrangeiras, especialmente as queameaçam a suposta integridade da língua e do sujeito-nacional. Há, nos Uma comparação entre as duas gramáticas mostra inclusive que os discursos sobre o estrangeirismo, uma ilusão de pureza do falar e do ser gramáticos usam argumentos semelhantes para justificar a reação ao uso da que constituem o sujeito-nacional. Constituição que a história revela palavra estrangeira, mas éa origem dessa palavra que muda. Antes, houve a relativamente ordenada, em que os gramáticos, em meio ao já-dito, lançam construção simbólica do desmerecimento do francês; hoje, do inglês. Nos suas contrapalavras. Desestabilização em meio ao estável - como não poderia dois casos, essa construção tem uma função: tentar preservar a “unidade deixar de ser - constituindo nossa história.
lingüística” nacional. Entretanto, em cada caso, a contrapalavra dosgramáticos, relativamente diferente, é motivada por fatos históricos distintos.
Antes de terminar, atente-se para mais um “detalhe”: a história das palavras também é reveladora da exclusão do estrangeiro. A etimologia de 4. O estrangeirismo como um vício de linguagem bárbaro e híbrido é esclarecedora dessa conotação negativa que é dada aooutro que pertence a outra nação e fala outra língua, outro que deve ser No Discurso 2, veja-se que aquele uso do estrangeirismo que não se afastado, portanto. Deixo a citação falar por si: acomodou ao “gênio da língua” importadora e que é usado “sem necessidade”é que é considerado vício de linguagem. Também em Cipro Neto e Infante, “bárbaro. [Do gr. bárbaros, pelo lat. barbaru.] Adj. 1. Entre os gregos
essa não-adequação à estrutura do português e seu uso abusivo, como vimos, e romanos, dizia-se daquele que era estrangeiro. 2. Sem civilização; selvagem, é que torna o uso da palavra estrangeira condenável. No caso, o uso da grosseiro, rude, inculto. 3. Cruel, desumano, sangüinário.(.) palavra estrangeira é um pecado - “A imprensa e a publicidade não resistemà tentação de utilizar a denominação estrangeira de forma apelativa, como híbrido. [Do gr. hybris, ‘ultraje’, pelo latim hybrida; a miscigenação,
em expressões do tipo os teens (por adolescentes) ou high technology system segundo os gregos, violava as leis naturais.] (.) 3. Gram. Diz-se de vocábulo composto de elementos de línguas diversas, como, p. ex., monóculo, emque o primeiro elemento vem do grego e o segundo procede do latim”. (.) Já é um discurso comum na lingüística que as gramáticas normativas apresentam preconceitos lingüísticos e haveria muitas formas de demonstrara ocorrência desses preconceitos. A tradicional seção “Vícios de linguagem”é um prato cheio para essas análises. Veja-se o fragmento abaixo,representativo dessa atitude lingüística, em que o estrangeirismo, como étradição nessas gramáticas, foi arrolado numa enumeração de vícios delinguagem: AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 lingüísticos sem apresentar juízo de valor sobre seu uso, com exceção do uso de galicismos, a respeito do qual diz o seguinte: “Estrangeirismo - uso de palavras ou construções próprias de línguas “Apesar do combate que lhes deram incansáveis vernaculistas, como Fr. Francisco de S. Luís, Filinto Elísio, Silva Túlio, Castilho e outros, aspalavras e expressões francesas vão tomando de assalto o nosso vocabulário, “O desenvolvimento de nossa Marinha Mercante é um dos pontos dêle desterrando vozes e expressões castiças. Isto se justifica pela posição fundamentais para o boom da exportação.” (JB, 7/11/73)” (Cegalla, saliente que ocupa a França na moderna civilização. Os escritores brasileiros contemporâneos, antes de se aperceberem do necessário cabedal deconhecimento do idioma pátrio, põem-se a ler as obras dos escritores A taxação de vício de linguagem constitui um processo explícito de exclusão da palavra estrangeira do rol de palavras “pronunciáveis”. Constituiaquilo que Foucault (1996) denominou, como vimos, proibição, um É galicismo léxico o emprêgo desnecessário de uma palavra francesa mecanismo de controle do discurso. Veja-se que essa é uma política de em português, ou o emprêgo de uma palavra portuguêsa com a acepção fechamento que se distingue das aspas; estas, um processo de exclusão, mesmo que marcado, silencioso: um fazer sem dizer.
Estendemo-nos um pouco na enumeração das palavras francesas para acautelarmos contra o seu emprêgo os menos experientes. Usá-las, quandodelas não haja necessidade, ou mesmo neste caso, sem as acomodar ao gênio Neste artigo, foram analisadas políticas de fechamento em gramáticas, da língua, constitui vício de linguagem.” (Coutinho, 1973:195,196 - itálico enfocando o discurso sobre o estrangeirismo. Percebe-se que as reações à palavra estrangeira têm uma função comum: construir simbolicamente aunidade lingüística, condição posta para a unidade nacional.
Citar uma lista extensa daquilo a que se denomina empréstimo lingüístico, em contraposição ao mecanismo da citação adicionada do Essa reação à palavra estrangeira que parece ameaçar a integridade comentário e da denominação de galicismo léxico e vício de linguagem, nacional é uma questão relevante para os estudos sobre o discurso, pois não produz, por um lado, o “esquecimento” do empréstimo lingüístico, pois é só mostra uma inclinação para a homogeneidade quando face à tomado como natural, e por outro, o destaque do galicismo; destaque feito heterogeneidade - é, portanto, uma política de fechamento - mas também para dominar o discurso a partir do comentário (neste caso, porque não se permite refletir sobre a construção de identidade do sujeito. Um sujeito que deixa a lista dizer por si, mas procura-se “interpretá-la”) e para excluir pela precisa esquecer-se do outro para constituir-se como tal, mas que proibição (pela constituição de um tabu lingüístico) - os conceitos de paradoxalmente só é porque está como o outro - Que é uma língua senão a comentário e proibição, como foi dito, foram tomados de Foucault (1996).
mistura de tantas línguas? Mas que é uma língua senão a diferença de outras Vê-se, nesses mecanismos articulados pelo gramático, uma forma de lidar com a heterogeneidade ao mesmo tempo produzindo o esquecimento, adominação e a exclusão da língua estrangeira. Trabalho em um instrumento Esse “ser um falante de uma língua” é um fato lingüístico que circunscreve num espaço mais restrito as relações do que, sem dúvida, ultrapassa os aspectos formais e toca nos AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 político-ideológicos - isso também lembrou Rajagopalan (1998), a respeito No momento histórico em que foi produzido o Discurso 2, a construção do hindi e do urdu, que são línguas oficialmente diferentes, apesar de que o da unidade lingüística passava pela desmoralização do emprego do francês, fator que as distinga não seja lingüístico, mas religioso e geopolítico.
já que -parafraseando o autor - seu uso era corrente devido à posição salienteque ocupava a França na então moderna civilização. O desmerecimento do Assim, a reação aos estrangeirismos não é uma reação (somente) à “outro” realiza-se ao mesmo tempo em que é feita a valorização do português, palavra estrangeira - não é aspecto lingüístico-formal que está em jogo - então elevado em sua “qualidade” de idioma pátrio que deve ser preservado nem uma reação a qualquer palavra estrangeira. Isso ajuda a entender o em sua “pureza”. Vejam-se as passagens em itálico.
porquê das restrições ao uso de palavras estrangeiras, especialmente as queameaçam a suposta integridade da língua e do sujeito-nacional. Há, nos Uma comparação entre as duas gramáticas mostra inclusive que os discursos sobre o estrangeirismo, uma ilusão de pureza do falar e do ser gramáticos usam argumentos semelhantes para justificar a reação ao uso da que constituem o sujeito-nacional. Constituição que a história revela palavra estrangeira, mas éa origem dessa palavra que muda. Antes, houve a relativamente ordenada, em que os gramáticos, em meio ao já-dito, lançam construção simbólica do desmerecimento do francês; hoje, do inglês. Nos suas contrapalavras. Desestabilização em meio ao estável - como não poderia dois casos, essa construção tem uma função: tentar preservar a “unidade deixar de ser - constituindo nossa história.
lingüística” nacional. Entretanto, em cada caso, a contrapalavra dosgramáticos, relativamente diferente, é motivada por fatos históricos distintos.
Antes de terminar, atente-se para mais um “detalhe”: a história das palavras também é reveladora da exclusão do estrangeiro. A etimologia de 4. O estrangeirismo como um vício de linguagem bárbaro e híbrido é esclarecedora dessa conotação negativa que é dada aooutro que pertence a outra nação e fala outra língua, outro que deve ser No Discurso 2, veja-se que aquele uso do estrangeirismo que não se afastado, portanto. Deixo a citação falar por si: acomodou ao “gênio da língua” importadora e que é usado “sem necessidade”é que é considerado vício de linguagem. Também em Cipro Neto e Infante, “bárbaro. [Do gr. bárbaros, pelo lat. barbaru.] Adj. 1. Entre os gregos
essa não-adequação à estrutura do português e seu uso abusivo, como vimos, e romanos, dizia-se daquele que era estrangeiro. 2. Sem civilização; selvagem, é que torna o uso da palavra estrangeira condenável. No caso, o uso da grosseiro, rude, inculto. 3. Cruel, desumano, sangüinário.(.) palavra estrangeira é um pecado - “A imprensa e a publicidade não resistemà tentação de utilizar a denominação estrangeira de forma apelativa, como híbrido. [Do gr. hybris, ‘ultraje’, pelo latim hybrida; a miscigenação,
em expressões do tipo os teens (por adolescentes) ou high technology system segundo os gregos, violava as leis naturais.] (.) 3. Gram. Diz-se de vocábulo composto de elementos de línguas diversas, como, p. ex., monóculo, emque o primeiro elemento vem do grego e o segundo procede do latim”. (.) Já é um discurso comum na lingüística que as gramáticas normativas apresentam preconceitos lingüísticos e haveria muitas formas de demonstrara ocorrência desses preconceitos. A tradicional seção “Vícios de linguagem”é um prato cheio para essas análises. Veja-se o fragmento abaixo,representativo dessa atitude lingüística, em que o estrangeirismo, como étradição nessas gramáticas, foi arrolado numa enumeração de vícios delinguagem: AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 A migração traz como conseqüência evidente a convivência entre culturas (modo de falar, usos, costumes, crenças, religiões diversas) e põe AUTHIER-REVUZ, Jacqueline. Heterogeneidade(s) enunciativa(s). In em confronto pessoas, com histórias distintas, que passam a integrar uma Cadernos de Estudos Lingüísticos 19. Campinas: IEL, 1990.
mesma comunidade, escolhemos a cidade de Alto Araguaia – MT na divisa _____. Palavras incertas: as não-coincidências do dizer. Trad. de Claudia com o Estado de Goiás, para realização de nosso estudo.
R. C. Pfeiffer [et al.]. Campinas: Ed. da UNICAMP, 1998.
Historicamente, a povoação de Alto Araguaia é marcada por BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. 4.ed. São Paulo: Hucitec, movimentos migratórios que instalaram indivíduos originários de diversos pontos do país. A ocupação da região, iniciada no fim do século XIX, pode _____. Estética da criação verbal. Trad. de Maria Hermantina Galvão. 3.ed.
São Paulo: Martins Fontes, 2000.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua O período inicial, relacionado ao desbravamento da região, em que a portuguesa. 32.ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1989.
mineração de ouro e diamante e a pecuária eram a base da economia, trouxe CIPRO NETO, Pasquale, INFANTE, Ulisses. Gramática da língua
portuguesa. São Paulo: Scipione, 1998.
O segundo período, relacionado à política governamental de ocupação COUTINHO, Ismael de Lima. Pontos de gramática histórica. 6.ed. Rio de de terras em regiões do Norte e Centro-Oeste brasileiros, trouxe os sulistas, FERREIRA, Aurélio Buarque Holanda Ferreira. Novo Dicionário Aurélioda Língua Portuguesa. 2a. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.
Embora importante, não existe uma bibliografia extensiva que trate da FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. 2.ed. São Paulo: Loyola, 1996.
questão das “atitudes lingüísticas”. Em geral encontramos referências FRANCHI, Carlos. Linguagem - atividade constitutiva. Almanaque, São esporádicas em obras das mais diversas correntes, artigos ou pesquisas de Paulo, Brasiliense, v. 5, p. 9-16, 1977.
pós-graduação que têm dado relevância ao tema.
GERALDI, João Wanderley. Linguagem e ensino: exercícios de militância Em linhas gerais, faremos uma breve apresentação de alguns autores e e divulgação. Campinas: ALB/Mercado de Letras, 1996.
obras que tomaram as “atitudes lingüísticas” como objeto de apreciação.
MAINGUENEAU, Dominique. Novas tendências em análise do discurso.
Tradução: Freda Indursky. 2.ed. Campinas: Pontes/Unicamp, 1993.
De acordo com relato feito por FERNANDEZ (1988), a psicologia MENDONÇA, Marina Célia. Língua e ensino: políticas de fechamento. In: social estadunidense tem sabido explorar, dentro de suas perspectivas MUSSALIM, Fernanda, BENTES, Arma Christina (orgs.). Introdução à aspectos relacionados às “atitudes lingüísticas”, ao passo que a lingüística lingüística: domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez, 2001.
em geral tem muito a fazer, principalmente, considerando a existência de RAJAGOPALAN, Kanavillil. O conceito de identidade em lingüística: é numerosas comunidades de imigrantes em seu interior.
chegada a hora pra uma reconsideração radical? In: SIGNORINI, Inês. (org.)
Língua(gem) e identidade: elementos para uma discussão no campo aplicado.
Dentro de uma orientação etnográfica, SAVILLE-TROIKE (1982), Campinas: Mercado de Letras; São Paulo: Fapesp, 1998.
aponta no quinto capítulo da sua obra “The etnography of communication”as implicações existentes entre as “atitudes lingüísticas” e os fatoresetnográficos.
AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 36-46, nº 2, 2000/2003 AVEPALAVRA:Revista de Letras, Câmpus de Alto Araguaia–UNEMAT- MT, pp 47-67, nº 2, 2000/2003

Source: http://www2.unemat.br/avepalavra/EDICOES/02/artigos/MENDONCA.pdf

Preventie van postoperatieve wondinfecties

Dit document mag vrijelijk worden vermenigvuldigd en verspreid mits steeds de Werkgroep Infectiepreventie (WIP) als auteur wordt vermeld. Vergewis u ervan dat u de meest recente versie van dit document hebt. Raadpleeg hiervoor www.wip.nl. De WIP acht zich na het verschijnen van een nieuwe versie van een richtlijn niet meer verantwoordelijk voor verouderde versies. Preventie van postoperatieve won

cobre.pbrc.edu

Publications by Researchers Using COBRE Funded Core Facilities (As of 10/31/2012) Zhang J, Wang Y, Gao Z, Yun Z, Ye J. Hypoxia-inducible factor 1 activation from adipose protein 2-cre mediated knockout of von hippel-lindau gene leads to embryonic lethality. Clin Exp Pharmacol Physiol. 2012;39(2):145-50. PMCID: 3269514. Xu F, Burk D, Gao Z, Yin J, Zhang X, Weng J, et al. Angiogenic defici

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